COMO RESPONDER AO SEU FILHO QUANDO VOCÊ DESCOBRIR ALGO INESPERADO

escrito por Dr. Chinwé Williams

“Mãe, pai, eu preciso te contar uma coisa…”

Quando se trata de educação de filhos, poucas frases aterrorizam mais o coração de um pai como a frase acima junto com a pergunta: “Você está sentado?”

Ambas as frases normalmente seguem notícias não tão boas e implicam que o receptor das notícias deve ser imediatamente preparado para o inesperado. Descobrir algo que você não esperava dos seus filhos pode provocar ansiedade e, sim, pode até desencadear um desmaio ou dificuldade em recuperar o fôlego – daí a importância de ter uma cadeira por perto.

Embora gratificante, a arena da educação de pré-adolescente e adolescente é repleta de situações difíceis e às vezes decepcionantes. As crianças se machucam, ficam doentes, ficam com o coração partido ou, pior ainda, praticam comportamentos potencialmente viciantes ou sexuais que podem ter um impacto negativo no futuro.

O trabalho mais importante de um pai é proteger. Mas o fato é que você não pode proteger seu filho de tudo. No mundo acelerado de hoje é provável que seu filho seja confrontado com pressões cada vez maiores e situações ainda mais desafiadoras do que nós, adultos, poderíamos imaginar quando tínhamos as idades dos nossos filhos. 

Nenhum pai nasceu sabendo exatamente como responder a todas as situações. O melhor escudo é estar tão preparado quanto possível. 

Considere estas estratégias de resposta:

  1. CONHEÇA OS SINAIS.

Embora fosse bom se os jovens fossem sinceros em relação aos seus comportamentos, a natureza inerente à falsidade é a necessidade de se esconder. Consequentemente, é provável que o seu filho não seja aquele que divulga informações incriminatórias. Frequentemente, os pais recebem essas informações por outro pai preocupado, um vizinho ou até mesmo pelo amigo mais próximo do filho. Assim, é importante reconhecer os sinais que indicam que seu filho pode estar em apuros.

Flutuações de humor, aparência pessoal ou grupos de amigos, bem como a perda repentina de interesse em atividades tipicamente agradáveis, são apenas alguns sinais. Fadiga excessiva, medo e tristeza prolongada também podem ser indicações de que algo pode estar afetando seu filho.

Mas atenção, muitos desses sintomas também coincidem com o desenvolvimento normal do adolescente. No entanto, confie em seus instintos. Se você sentir que algo está errado, então provavelmente está.

 

  1. DEIXE DE LADO SUA RAIVA

Uma vez que o gato esteja fora do saco, reserve um momento para conter sentimentos de raiva intensa ou frustração. Você pode se ver gritando, chorando ou imaginando como você falhou em impedir que essa coisa terrível acontecesse. Reações perfeitamente compreensíveis, mas não necessariamente úteis.

Durante situações de crise, as crianças aceitam as sugestões dos pais. Então, não se esqueça de respirar fundo. Um ditado comum entre os terapeutas familiares é: “Surpreenda-se por dentro, não por fora. . .”

“Quando você descobrir algo inesperado de seu filho, surte por dentro, não por fora. . . ”

Sim, eles podem ter estragado tudo. No entanto, agora não é hora de reagir exageradamente. Se você não sabe o que dizer, não diga nada. Não há problema em dizer: “Não tenho palavras agora”. Você pode reservar o direito de (e deve) revisitar a conversa quando tiver tempo para processar e estiver mais calmo.

 

  1. ESCUTE TENTANDO ENTENDER

Responda como um amigo e não como pai / mãe. . . pelo menos inicialmente. Isto é difícil. E o que isso realmente significa? Responda com curiosidade e ouça com empatia. Esta é a oportunidade de ouvir atentamente para obter não apenas uma compreensão completa da situação, mas também como o seu filho se sente em relação à situação, e o que ele acredita ser o melhor curso de ação.

Claro, existem certas situações que exigem um período para ouvir mais curto e um tempo de resposta mais rápido. Se o seu filho te conta que está usando drogas, ou conta sobre comportamentos de auto-agressão ou atividade sexual, é melhor intervir rapidamente e até procurar um profissional para orientação.

No entanto, a resposta inicial deve ser uma resposta, não uma reação. Ouça empaticamente o que seu filho está enfrentando. Peça esclarecimentos se você não entender alguma coisa. Uma estratégia simples é: quanto menos você fala, mais o seu filho fala.

Ouça com empatia o seu filho. Quanto menos você falar, mais seu filho falará.

 

  1. EVITE A CRÍTICA EXCESSIVA.

Relacionamento pai-filho é um desses relacionamentos únicos onde o seu papel não é apenas amar e proteger, mas também corrigir constantemente. Parte do nosso papel como pais é ajudar nossos filhos a desenvolver bons traços de caráter: Seja gentil e respeitoso com os outros e com você mesmo, cuide de seus modos, sempre diga a verdade, não importa o que aconteça. Descobrir informações que vão contra o que você trabalhou tão duro para eles internalizarem pode ser decepcionante e muito perturbador.

Embora o desejo de apontar falhas ou comparar uma criança à outra possa ser tentador, expressões de desaprovação e desprazer devem ser exibidas com parcimônia. É difícil para muitos de nós adultos lidar com um ataque de críticas, mas ainda mais difícil para um adolescente. Se seu filho está lidando com uma situação difícil, provavelmente já está se sentindo hiper-sensível e vulnerável a qualquer ligeira percepção.

 

  1. EXPRESSE EMPATIA 

Ser adolescente não é fácil. Os jovens se deparam com situações complexas que dificultam a navegação de qualquer pessoa, muito menos a identidade de alguém que ainda está se desenvolvendo. As pressões são reais e crescentes. Provavelmente, não há nada que um pai possa dizer ou fazer que alivie imediatamente todas as pressões que os pré-adolescentes e adolescentes enfrentam. Por isso, é importante começar simplesmente reconhecendo a realidade do seu filho.

Mesmo quando você fica chocado, lembre seu filho/a de que ele não está sozinho. Faça o máximo possível de pesquisas sobre o que quer que seu filho esteja enfrentando para ter uma idéia melhor do que ele está lidando e para saber a melhor maneira de responder. Reforce as qualidades positivas que você vê neles que lhes permitirão progredir a partir desta situação atual.

Evite dizer: “Eu avisei que algo assim aconteceria” ou “Você provavelmente arruinou sua vida”. Em vez disso, tente uma dessas frases:

“Eu sinto muito por você estar passando por isso.”

“Isso deve ser muito difícil para você, é difícil para mim também.”

Somente balance a cabeça dizendo, “Uh, huh”, até que seja o momento apropriado para dizer algo como “Eu sei que isso parece mais forte que você, mas podemos juntos pensar nas opções que temos”.

“O que nós podemos fazer para te ajudar?”

 

  1. PERGUNTE PARA SEU FILHO SE ELE TEM UM PLANO PARA RESOLVER O PROBLEMA

Depois de pesquisar o que seus filhos estão enfrentando e antes de se oferecer para resgatá-los da situação, descubra como eles planejam solucionar o problema. As chances são de que seu filho tenha analisado e analisado novamente o problema antes mesmo de você suspeitar que houve um problema! Eles podem até já ter descoberto uma solução.

Ao dialogar sobre a situação e descobrir o que o adolescente vê como possíveis soluções, você estará apoiando e equipando seus jovens com as habilidades necessárias à medida que eles caminham rumo à idade adulta. É através da luta e da adversidade que os adolescentes aprendem quão capazes eles realmente são!

No entanto, há uma distinção entre comportamento de risco e exploração saudável. É importante enfatizar que a diferença entre os dois pode chegar a uma decisão ruim.

Pais, vocês não precisam fazer isso sozinhos. Procure orientação profissional de um terapeuta para aprender a reconhecer os sinais precoces de um problema de saúde mental, para que você possa tomar medidas para evitar que sintomas leves se transformem em problemas maiores.

Coisas ruins podem acontecer com qualquer criança e qualquer família. Boas crianças tomam decisões ruins. A má escolha do seu filho não é necessariamente um reflexo de uma má educação. A família mais forte pode um dia encontrar-se diante de notícias inesperadas ou angustiantes. Ninguém pode prever o resultado o tempo todo. Lembre-se, o fracasso faz parte do sucesso – e faz parte do crescimento.

Se você reconhecer um erro que você fez nesta lista, saiba que você está em excelente companhia. A boa notícia é que as crianças são muito complacentes com os erros dos pais e sempre há esperança de que, com intervenções apropriadas, o resultado possa ser relacionamentos familiares fortalecidos.

Além disso, um bom relacionamento entre pais e filhos, centrado em torno de uma comunicação eficaz e expressões de amor, pode eventualmente ajudar a resolver até mesmo o que inicialmente parece ser uma notícia angustiante.

 

Traduzido por Sergia Rodrigues Kelling

 

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